O que significam as Empresas Trilógicas?

Norberto R. Keppe¹

What do Trilogical Companies mean?

França, 1989

RESUMO

As Empresas Trilógicas têm de funcionar com bastante individualidade e ao mesmo tempo no sentido social; elas têm de satisfazer os anseios de cada um que trabalha e também cumprir a sua função na sociedade. De certa forma, têm de possuir a mesma imagem do ser humano, que é independente em si mesmo e dependente do ambiente em que vive.

Palavras-chave: Economia, Trabalho, Capital, Sociopatologia, Socioterapia.

ABSTRACT

Trilogical Companies have to work with a lot of individuality and at the same time in a social sense; they have to satisfy the aspirations of everyone who works and also fulfill their role in society. In a way, they need to have the same image of the human being, who is independent in himself and dependent on the environment in which he lives.

Keywords: Economy, Work, Capital, Sociopathology, Sociotherapy.

Texto

Certas nações da Europa estão em situação de atraso em relação a outras; Portugal, Espanha, Grécia, Albânia, Romênia precisam se unir em um mesmo grupo de mercado, para que possam se desenvolver. As três primeiras já o fizeram; porém, a grande maioria dos pequenos países jazem ainda em grande atraso. No entanto, existe um problema: como se daria essa fusão? A maioria das pessoas pensa que seria através da colocação de empresas (multinacionais) trazidas das regiões mais adiantadas, uma vez que que elas possuem todo o capital necessário; a grande desvantagem
deste procedimento é que a longo prazo se tornariam totalmente dependentes economicamente, perdendo mesmo sua autonomia — como já acontece com o México, Brasil, Taiwan, Filipinas, Coreia do Sul. Por esse motivo, o processo desenvolvido por Taylor, de exploração do operário, só poderia ser aplicado nos Estados Unidos, assim como o de Fayol (que fornece todo o poder aos superiores), na Europa, devido ao sistema desumano capitalista do primeiro e o autoritarismo que sempre funcionou nos países europeus.

Eu sugeriria uma outra solução, ou seja, a construção de empresas trilógicas, que dariam as seguintes oportunidades:

1) criação do capital necessário para o povo que as formas-se;
2) desenvolvimento social e psíquico para os seus trabalhadores;
3) rápido enriquecimento para a nação.

Minha intenção ao organizar as Empresas Trilógicas foi a de conscientizar a atitude do poder social ruim — para que, com o tempo, o próprio povo assuma esse poder no sentido certo. Acredito mesmo que o país que aceitar tais empresas terá um enorme desenvolvimento, porque:

1) haverá uma grande diversificação e aumento da atividade;
2) crescimento incrível do capital — mas, desta vez, baseado em algo real (no trabalho, e não na especulação).

Um fenômeno digno de menção é a atitude do povo em geral, que não sabe capitalizar o que adquire. Houve uma nítida divisão na sociedade entre o grupo capitalista e o de trabalhadores — este último coloca toda a razão de sua existência apenas no trabalho (emprego), não economizando o dinheiro necessário para garantir a formação de uma empresa; e o primeiro organizando toda leis, a sua existência para entender { estruturas do poder e até mesmo corrupção,  } a fim de garantir suas riquezas em qualquer tipo de sociedade que os aceite.

Podemos dividir a humanidade em 2 grupos de pessoas:

a) as que trabalham e não sabem coordenar uma empresa;
b) as que coordenam e não conseguem trabalhar corretamente.

De maneira que o mais importante é conseguir administradores que ajam pelo bem da firma e dos trabalhadores, que são a causa, alma e finalidade da empresa. Este é o maior problema, porque os que sabem dirigir usam sua capacidade para explorar o próximo — já que todas as “leis” sociais favorecem esse tipo de atitude.

Para que um trabalho seja feito basta criar o hábito; qualquer atividade depende de um certo número de movimentos que o ser humano adquire cedo e conserva durante toda a sua vida. Por esta razão é difícil haver uma mudança de atividade após os 30 anos de idade. Portanto, para que haja uma transformação social é necessário acostumar o povo a formar um tipo de firma em que não seja mais explorado.

Existem 2 princípios gerais no funcionamento das Empresas Trilógicas:

1) delegar ao máximo as responsabilidades para os que trabalham;
2) reduzir ao mínimo os poderes.

O primeiro aspecto tem a finalidade de conscientizar os “trabalhadores” (todos os que trabalham e não só os operários), em relação à sua função na sociedade; o segundo tem o mesmo fim, acrescido do fato de evitar que a psicopatologia impeça o desenvolvimento econômico e social.

Tais empresas devem conter o mínimo de administração e o máximo de trabalho — exatamente ao contrário das capitalistas e socialistas, que procuram sugar toda a energia dos trabalhadores. Estou falando o óbvio pois, se é o trabalho que dará todo o rendimento, quanto menos controle mais lucro haverá. O ideal mesmo é que não haja quem administre, no sentido tradicional; de qualquer modo, os que dirigem precisam estar em contato direto com a questão da produtividade e não só do lucro. A maior dificuldade entre todas reside na questão da mentalidade, pois foi criada a ideia de que é mais importante administrar do que produzir — mesmo que seja necessário escolher o indivíduo mais produtivo para a direção; neste caso, ele tem de ganhar mais do que os outros.

Na Empresa Trilógica, cada membro tem de sentir responsabilidade pela sua firma, o que é conseguido se ele notar que a firma depende de seu trabalho — e este fenômeno só acontecerá com o tempo de experiência, durante o qual ele analisa todas as coordenadas, sobre { produção e o trabalho.

Ela só pode ser construída à semelhança do verdadeiro processo de conhecimento (a posteriori):

1) vendo-se primeiro como funciona, para depois ir colocando cada peça em seu lugar;
2) organizando-se tudo de baixo para cima — o que significa que jamais deverá ser imposto um plano preestabelecido por um grupo;
3) e nunca a centralizando, seja quanto à economia ou quanto à administração.

As Empresas Trilógicas têm de funcionar com bastante individualidade e ao mesmo tempo no sentido social; elas têm de satisfazer os anseios de cada um que trabalha e concomitantemente cumprir a sua função na sociedade. De certa forma, têm de possuir a mesma imagem do ser humano, que é independente em si mesmo e dependente do ambiente em que vive — biologicamente submetido às contingências sociais e psicologicamente independente.

A melhor maneira para preservar a individualidade foi a de conservar 50% do faturamento para os que trabalham, 40% para os investimentos e 10% para o fundo — este último com a finalidade de haver reserva de capital, para ser reaplicada conforme resolução de toda a sociedade que o está administrando. Quanto mais individualizado é o trabalho nas Empresas Trilógicas, menor é a possibilidade de desonestidade, porque:

1) cada um irá aprender melhor a defender seus direitos;
2) a divisão do dinheiro torna-se mais fácil de ser feita.

As Empresas Trilógicas são geralmente um conjunto de firmas, que poderão auxiliar umas às outras, até que todas sejam suficientemente fortes para sobreviverem. Tanto em Nova York, como em Londres, Lisboa, Estocolmo, Helsinque e Paris, todas elas usaram de início o mesmo local, para depois se expandirem — com enorme economia de tempo e dinheiro.

A Empresa Trilógica não é laborterapia; todo indivíduo que se tornar sócio tem de ter uma experiência mínima para conseguir ser produtivo. Aliás, uma terapia do trabalho só pode ser feita em uma escola, que precisa ser paga por quem for lá aprender. Deve haver um critério para a pessoa entrar em uma Empresa Trilógica, e o que eu acredito mais importante:

1) é a sua experiência no trabalho;
2) e não ser demasiadamente patológica.

O melhor esquema das Empresas Trilógicas pode ser feito da seguinte maneira:

Tem de haver um administrador geral que permanece em contato com os coordenadores de cada empresa, para fornecer a orientação necessária. Todos os outros indivíduos que exercerem qualquer função deverão trabalhar fora do quadro — de preferência em acordo com o coordenador-geral, como sendo mais uma espécie de free-lancer. A finalidade desse esquema é diminuir ao máximo o poder, para dar lugar à força do trabalho.

 

Notas

1 *Psicanalista, Filósofo, Pedagogo, Cientista Social, Pesquisador independente de Energética (Nova Física), Escritor, Fundador e Presidente da SITA – Sociedade Internacional de Trilogia Analítica (Psicanálise Integral). Integrou as áreas da ciência, filosofia e espiritualidade, criando um novo campo chamado de Trilogia Analítica (psicossociopatologia). Criador da Tecnologia de motores ressonantes Keppe Motor. Doutor Honoris Causa.

Extrato do livro Sociopatologia – Estudo sobre a patologia social – bases para a nova civilização do Terceiro Milênio – segunda edição, 2002, págs. 241-244

 

 

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