Trilogical Enterprises

RESUMO

Utilizando-se das descobertas feitas por Norberto R. Keppe numa base experimental, um novo modelo de empresa foi elaborado: a empresa trilógica. A aplicação deste modelo na prática representa amplas e profundas consequências para a maneira de pensar no âmbito social e econômico. Muitas unidades diferentes de negócios estão sendo estabelecidas e várias empresas tradicionais estão sendo transformadas segundo os novos conceitos.

Palavras-chave: Modelo Econômico, Qualidade de Vida, Empreendedorismo, Psicoterapia, Socioterapia.

ABSTRACT

Using the discoveries made by Norberto R. Keppe on an experimental basis, a new enterprise model has been developed: the trilogical enterprise. The application of this model in practice has widespread and deep consequences for social and economic philosophy. Many different types of business units have already been established, and various traditional enterprises are being transformed according to these new concepts.

Keywords: Economic Model, Life Quality, Entrepreneurship, Psychotherapy, Sociotherapy.

Texto

Por que um Novo Modelo de Empresa?

As empresas tradicionais têm desenvolvido sérios problemas. Houve uma queda do crescimento da produtividade em geral. Por exemplo, os EUA estão perdendo rapidamente a sua supremacia na indústria e na agricultura. As causas básicas da decadência na produção consistem nos seguintes problemas:

a) Nas empresas privadas e organizações públicas existe um sério conflito de interesses entre proprietários ou administradores de um lado, e empregados do outro: este conflito
é gerado por um clima de exploração. Os proprietários e administradores alcançam lucros baseados no trabalho dos empregados, que são os responsáveis pela produção. Isto gera ressentimento e oposição ao trabalho e à empresa. Os sindicatos se aproveitam desta situação e, como consequência, há uma queda na produtividade.

b) A filosofia de negócios mudou nestas últimas décadas.
Anteriormente, produção e vendas eram prioritárias e também a principal fonte de lucros. Atualmente, a produção é algo secundário e os investimentos financeiros e a especulação atraíram maior atenção simplesmente pelo fato de oferecerem lucros a prazos mais curtos ao investidor do que uma atividade que produz bens ou serviços.

Isto significa que os empresários fazem o dinheiro gerar dinheiro através de taxas de juros e especulações financeiras. O dinheiro tornou-se uma meta em si em vez de servir à produção. A especulação substituiu o trabalho.

c) Como todas as organizações são feitas de indivíduos, estas organizações refletem tanto as qualidades positivas como os problemas dos indivíduos. Problemas no nível social provêm de problemas psicológicos no nível individual. Ou, em outras palavras, a sociopatologia se origina na psicopatologia e vice-versa.

A psicopatologia é causada pelas atitudes errôneas e pelos valores invertidos que, em grau maior ou menor, todos adotamos. Essas atitudes são, por exemplo: egoísmo, desonestidade, arrogância, inveja e intolerância.

Uma inversão de valores se manifesta, por exemplo, quando a pessoa pensa que a responsabilidade, o trabalho, a realização e uma atitude de ajuda são maçantes e que a alienação, status, corrupção e a exploração dos outros poderia ser algo benéfico em sua vida. A pessoa adota uma atitude de oposição à realidade, ao trabalho e ao progresso. Ao mesmo tempo, de uma maneira sutil, tenta não perceber este erro.

Os erros são as coisas mais difíceis de se lidar. Como resultado, a capacidade de crescimento do indivíduo, de aprendizado e até de manutenção do seu nível anterior de produtividade deteriora. Esta é também a causa fundamental dos dois problemas anteriores.

Estes problemas foram se agravando continuamente, e nenhum método prático foi desenvolvido para resolvê-los na sua raiz. O motivo desta falta de solução se deve ao fato dos economistas, sociólogos e empresários não possuírem o conhecimento da verdadeira psicopatologia, que é a causa da sociopatologia. Como resultado, sistemas econômicos são criados e baseados em patologias não percebidas.

Utilizando-se das descobertas feitas pelo Dr. Norberto R. Keppe numa base experimental, um novo modelo de empresa foi elaborado. A aplicação deste modelo na prática representa amplas e profundas consequências para a maneira de pensar no âmbito social e econômico. Muitas unidades diferentes de negócios estão sendo estabelecidas e várias empresas tradicionais estão sendo transformadas segundo os novos conceitos.

O novo modelo é chamado de empresa trilógica por ter sido baseado na Trilogia Analítica, a teoria que foi desenvolvida pelo Dr. Keppe.

O Modelo de Empresas Trilógicas

O primeiro problema a ser mencionado na exposição foi a de que os empregados vão contra a empresa devido ao conflito de interesses ou simplesmente por causa do clima de exploração. Este problema poderia ser resolvido se todas as pessoas que trabalham na empresa fossem beneficiadas, pelos resultados de lucro e desenvolvimento como sócios pelo trabalho que realizam.

Nas empresas trilógicas, todos são acionistas em quantidades iguais. As remunerações e salários são baseados na produção do indivíduo. De igual maneira, a distribuição dos lucros é feita de acordo com a produção e não pela quantidade de dinheiro investida pela pessoa. Assim, a medida da produção é o ponto crítico, pois determina a distribuição de lucros e rendimentos.

A produção envolve dois fatores básicos, que são considerados e avaliados:
• a graduação da função ou cargo e
• a capacidade e o esforço (produção) do indivíduo.

Os salários são definidos de acordo com a estrutura de salário de uma empresa similar local. Salários incompatíveis (muito baixos ou altos demais para o trabalho executado) são analisados e corrigidos de caso em caso. Assim, a cada descrição de cargo é atribuído um salário justo.

O segundo problema foi que a especulação e as operações financeiras foram sobrevalorizadas em relação à produção. Isto será resolvido aplicando-se a regra de que o dinheiro não pode gerar mais dinheiro por si mesmo. Na prática, o dinheiro necessário para começar as atividades de negócios é geralmente chamado de investimento de risco e os investidores esperam obter ganhos baseados na distribuição de lucros durante o período de tempo em que a firma opera.
Os acionistas do capital de risco ganham o dinheiro independentemente de sua produtividade, eles nem sequer precisam trabalhar.

No novo modelo, o capital inicial necessário é dividido pela quantidade dos participantes da empresa, formando assim a cota inicial de participação. Cada um deveria pagar essa quantia, mas se algum dos participantes não tiver condição financeira para isto, será estabelecido um programa de pagamentos parcelados, de acordo com suas possibilidades. O princípio básico é que todos são sócios com quantidades iguais de capital.

O terceiro problema consiste em lidar com a psicopatologia relacionada com o trabalho a nível individual. Isto significa que o indivíduo é conscientizado das suas atitudes errôneas e valores invertidos, que destroem a sua produtividade. O método utilizado é chamado “programa de conscientização de erros”. A conscientização é definida como sendo a percepção interna da realidade. Todos na empresa participam de reuniões semanais com os colegas e recebem um “feedback” (retorno) direto dos mesmos em relação aos 56 seus problemas de desempenho. Através das atividades diárias, o grupo ajuda cada membro a perceber as causas da baixa produtividade, como a desonestidade, falta de cooperação, egoísmo, inveja, arrogância e inversão.

Por outro lado, o objetivo do programa de conscientização é o de aumentar a consciência social, econômica e psicológica dos participantes. Esta consciência é estimulada tanto quanto possível e não suprimida, como se costuma fazer.

Fundo Trilógico

Com a finalidade de criar um suporte financeiro para estas novas empresas, foi criado um fundo específico. O fundo recebe dinheiro dos indivíduos e instituições que desejam participar no trabalho de combater a especulação e a exploração. Este dinheiro é considerado como empréstimo e é devolvido quando solicitado. O ajuste da inflação é incluído; porém, não há adição de juros.

Todas as empresas trilógicas contribuem ao fundo regularmente com 10 por cento do seu lucro. Estas contribuições não serão devolvidas, a não ser que o fundo seja dissolvido.

Todo dinheiro do fundo trilógico pertence às empresas trilógicas. A finalidade do fundo é a de suprir o dinheiro para o investimento de capital efetuado pelas empresas trilógicas.
Os empréstimos efetuados pelo fundo às empresas trilógicas devem ser devolvidos com o ajuste da inflação. Não são cobrados juros.

O fundo trilógico é uma organização sem fins lucrativos e a sua função é semelhante à de um banco.

Exemplo

Vamos supor que existem três pessoas A, B e C que desejam fundar uma empresa. A possui $ 40.000, B $ 10.000 e C não possui nada. O total de $ 50.000 é utilizado como capital inicial de investimento (veja linhas 1 e 2 do esquema). Em uma empresa tradicional, a distribuição de lucro seria feita entre A, B e C respectivamente de 80 por cento, 20 por cento e nada (linha 3).

Na empresa trilógica este não é o caso. Suponhamos que a produção de A foi avaliada em 10 unidades, de B em 18 unidades e de C em 12 unidades (linha 4).

A soma desses três resulta em 40 unidades. A detém 25 por cento, B 45 por cento e C 30 por cento do total (linha 5). Estas porcentagens definem os salários e a distribuição de lucro.

Implementação

Na década de 80, aproximadamente trinta empresas foram instituídas ou transformadas em trilógicas. Estas incluíam os seguintes tipos de atividades: gráfica, transportadora, metalúrgica, manufatura de janelas, educação, serviços médicos e odontológicos, lojas, importação e exportação, advocacia, construtora, escola infantil, agricultura, casa de vinhos, apiário (outubro de 1985).

A implementação é gradual e experimental. Quanto maior o crescimento dessas empresas, maior é o interesse público que provocam. A capacidade competitiva superior dessas empresas irá forçar as outras a adotarem os mesmos princípios. As empresas públicas, sem fins lucrativos, também podem aplicar este modelo.

Conclusão

O objetivo dessa transformação social e econômica, proposta pelas empresas trilógicas, é dar valor ao trabalho como base de toda riqueza. O dinheiro em si não é um problema, mas o uso errôneo do dinheiro é que cria a exploração, a miséria e o sofrimento.

É difícil ou quase impossível para nós percebermos os erros ou a inversão do sistema dentro do qual vivemos, pois somos praticamente cegos às coisas das quais fazemos parte. A fim de podermos abrir os olhos, é necessário entendermos as causas dos problemas sócio-econômicos através da psicopatologia e a sua interação. Este é o primeiro modelo econômico que tem os fundamentos integrais.

Este modelo econômico é diferente dos sistemas capitalistas, socialistas ou comunistas. O objetivo visa corrigir os erros básicos dos modelos econômicos existentes.

O papel das empresas trilógicas é o de melhorar a qualidade de vida, especialmente na área da realização, e de ajudar a desenvolver uma sociedade mais justa onde a divisão de lucros é baseada num trabalho altruísta. Esta é uma meta que apenas as pessoas de grande idealismo e coragem procurarão alcançar.

 

Notas

1 Formado na Universidade de Helsinki, Finlândia, trabalhou como Gerente do Sistema de Planejamento em Helsinki. Em Nova York, na década de 80, organizou o serviço de consultoria da ISAT (International Society of Analytical Trilogy, Inc.). Realizou conferências por todo o mundo e tem artigos publicados sobre Trilogia Analítica, aplicada a melhorar a produtividade e o desenvolvimento da performance pessoal.

Nota: Extrato do livro A Libertação dos Povos – A Patologia do Poder, de Norberto R. Keppe – Adendo: Empresas Trilógicas, de Pertti Simula – págs. 226 a 231

 

Receba as Novidades

Em seu e-mail ou por WhatsApp, receba conteúdo exclusivo: boletins de conteúdo, palestras, artigos, lançamentos, etc. Somente a Keppe & Pacheco enviará as mensagens, garantindo que os interessados recebam conteúdo confiável e de qualidade.

plugins premium WordPress Pular para o conteúdo