O Caminho Para a Sanidade é o da Consciência da Patologia

Trecho do livro O Homem Interior, de Norberto Keppe.

Todo e qualquer tratamento de psicoterapia tem de levar o indivíduo, através da consciência da patologia, para alcançar de algum modo a sanidade que deixou lá atrás.

– Não sei por que estou sempre rejeitando desenvolver meu trabalho; não publico o livro que escrevi, mas faço outras coisas.
– O que acha de sua conduta?
– Inveja ao bem.
– Mas por que dá tanta ênfase à inveja, e não vive o bem e a sanidade que tem no próprio interior? Perguntei.
– Mas não sabia que era possuidor de alguma sanidade.

É fundamental saber que para perceber qualquer patologia, o ser humano tem de possuir sanidade – aliás, é o que constitui a base da própria personalidade, porque sem ela não haveria nem o ser humano.

Só quem tem consciência, é que não se vê muito correto, de maneira que podemos afirmar que a ideia de perfeição que muitos carregam, encobre erros extremados. Parece que não existe, nunca existiu, e jamais existirá quem seja perfeito.

– Meu filho fala que seu chefe se acha perfeito, ele se mostra extremamente rígido e fora do mundo.
– O que vê em sua conduta?
– Penso que ele não tem consciência de problema algum.
– Só as pessoas que não têm consciência é que se acham perfeitas.

É por este motivo que os indivíduos que se acreditam muito corretos são os mais doentes, só porque não enxergam falha alguma. De outro lado, para enxergar o mal temos de praticar o bem, sendo que o ser humano só verá o mal se estiver empenhado em realizar o bem.

– Minha mulher teve um desastre de carro, e fiquei muito irritado com isso. Foi em uma semana muito agitada, e acredito que ela foi influenciada até pela minha agitação.
– Mas ao que associa o que aconteceu com ela?
– Alienação, atitude de distração, fora da realidade.
– Note que o sr. se irritou com a consciência da alienação que ela lhe trouxe, algo distante de sua interpretação.

Há uma diferença fundamental entre o meu trabalho científico e o dos religiosos; estes últimos só aceitam em suas igrejas os indivíduos mais «virtuosos», que não tenham pelo menos alguns vícios capitais – enquanto que em nossa atividade, damos ênfase primordial à percepção dos males, até que ele resolva o que fazer com ela – sendo que a consciência é o mais importante elemento de correção.

Posso afirmar que a maior virtude que o ser humano pode possuir é o da aceitação da consciência de seus males.

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